Santa Comba Dão recebeu conferência «Os Homens Dizem: O Que é Ser Mulher?»
Pelas 16 horas do passado Domingo, dia 11 de Março, o Cine-Teatro da Casa da Cultura de Santa Comba Dão foi palco da iniciativa “Os Homens Dizem: O Que é Ser Mulher?”, uma organização da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, através do seu Sector Cultural, com vista à comemoração do Dia Internacional da Mulher que se assinalou a 08 de Março.
João Lourenço, Presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, esteve presente nesta iniciativa que se realizou após a cerimónia de inauguração da exposição de pintura e desenho “Ser Mulher” da autoria de Inês Massano e que serviu de suporte a esta conferência.
“Os Homens Dizem: O Que é Ser Mulher?”, moderado por Salvador Massano Cardoso, contou com as participações de Pedro Leitão – Padre, José Luís Figueiredo – Advogado, Fernando Jorge Costa – Médico Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e Pedro Jorge Coelho – Sociólogo.
Ao longo desta conversa informal, com a qual se pretendia constituir um espaço de reflexão e de discussão sobre a condição feminina, os oradores foram partilhando as suas visões e opiniões sobre a mulher, como esta é definida com base na sua vivência e profissão e qual o seu papel na sociedade actual.
Pedro Leitão, Padre no concelho de Santa Comba Dão, foi o primeiro a tomar a palavra partilhando com o público presente passagens da Bíblia que dão conta da evolução da caracterização da mulher ao longo dos tempos fazendo referência, sobretudo, aos temas da igualdade entre homem e mulher, às diferenças entre as funções de cada género, à igualdade de direitos consagrados nos Mandamentos, ao divórcio, ao adultério e à comparação equalitária total, princípio base da solidariedade.
Numa segunda parte da sua intervenção, o pároco abordou a História da Igreja e das mulheres influentes como Teresa de Ávila, Teresa do Menino Jesus – Doutoras da Igreja –, Santa Brígida da Cruz, Santa Brígida da Suécia – Padroeiras da Europa e Catarina de Sena, detentora dos dois títulos.
Para concluir, referiu que é à mulher que cabe o papel de ensinamento da doutrina cristã através da catequese e da divulgação da fé, sendo o sexo feminino aquele que assiste às missas com mais frequência.
José Luís Figueiredo, advogado, focalizou a sua participação na evolução e conquista dos direitos das mulheres como, o direito à maternidade, a igualdade laboral ou o exercício de cargos na administração pública, direitos consagrados após o 25 de Abril de 1974.
Referiu, com recurso a exemplos práticos, que, embora os direitos conquistados pelo sexo feminino sejam reconhecidos pela lei, não significa que sejam gozados plenamente, nomeadamente, nos meios rurais mais pequenos onde, nem sempre a sociedade os reconhece.
Na sua abordagem, José Luís Figueiredo, reconheceu que a mulher é um mistério, um ser complexo e difícil de caracterizar, realçando o seu papel preponderante na sociedade que se reveste de diversas funções como: gestora do lar, profissional, mãe, esposa.
Fernando Jorge Costa, Médico Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, iniciou a sua intervenção referindo que: “a mulher é um ser tão complexo que merece uma especialidade só para ela”, uma vez que, em termos fisiológicos, a evolução feminina pressupõe uma adaptação que implica particularidades como a gravidez e a capacidade orgânica de recuperação completa e rápida da mulher e a aptidão inata para criar, educar e cuidar, aptidão que, segundo o médico, o homem não possui.
Numa segunda fase da sua intervenção, Fernando Jorge Costa, partilhou com os presentes imagens marcantes da sua profissão como, por exemplo, os sentimentos e emoções sentidos aquando da primeira consulta da mulher, o momento do nascimento de uma criança, a relação entre mãe e filho quando se vêm e tocam pela primeira vez, mas também aspectos negativos como o contacto com uma doente oncológica ou a morte de um recém-nascido.
O médico concluiu a sua intervenção mencionando que ser mulher é perspectiva de melhoria, de progresso e de vantagem.
Pedro Jorge Coelho, Sociólogo, o último orador da tarde, abordou a evolução da condição feminina numa perspectiva histórica salientando que a, ao longo dos tempos, mulher é vista pela sociedade para gerir a família e o lar, desempenhando tarefas desprestigiantes para a sua condição, afirmando que, no Antigo Regime: “a melhor mulher seria aquela que não falasse”.
A nível sociológico, Pedro Jorge Coelho, afirmou que o homem dedica cerca de nove horas semanais às tarefas domésticas enquanto que a mulher dedica cerca de 25 horas à gestão do lar, o que revela a capacidade de reacção e de demonstração de valor do sexo feminino e da força da natureza que lhe é inata e permite o desempenho de múltiplas tarefas.
Para o sociólogo, esta capacidade permite a demonstração de qualidades que permitem ao sexo feminino desempenhar serviços, funções e tarefas, tradicionalmente destinadas ao sexo masculino como, por exemplo a condução de veículos pesados ou a execução de trabalhos de mecânica.
Concluiu a sua intervenção revelando que a mulher é mais humana do que o homem e cada vez mais bem-vinda a funções diferentes na sociedade, pois é um ser activo, respeitado e de coragem que deve continuar a lutar pelos seus direitos.
No final das intervenções seguiu-se um período de intervenção do público.




























