Quinta dos Poços lança monografia com 300 anos de história da propriedade

A Quinta dos Poços é a primeira quinta do Douro a lançar uma monografia com história da propriedade. São 300 anos de história, 25 dos quais nas mãos da família Mesquita Guimarães.

A Quinta dos Poços, situada em Valdigem (concelho de Lamego), em plena mancha classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, comemora 300 anos de história, 25 dos quais nas mãos dos actuais proprietários: a família Mesquita Guimarães. Para assinalar esta data, a família lança hoje o livro “Quinta dos Poços – 300 anos de história”, da autoria do escritor duriense José Braga-Amaral, bem como o vinho comemorativo “Quinta dos Poços MG XXI”, um tinto especial que traduz o espírito do projecto vínico. Esta é a primeira monografia de quinta a ser publicada no Douro.

A Quinta dos Poços, que produz somente vinhos tintos (Colheita, Reserva e Grande Reserva), por diversas vezes premiados em Portugal e no estrangeiro, é uma das mais antigas da região duriense – 1711 é a primeira data inscrita nos tombos da época com referência a esta quinta. A propriedade estende-se ao longo de 25 hectares, 21 dos quais com vinha mecanizada em patamares e ao alto, onde são produzidas anualmente cerca de 200 pipas de vinhos.

A actual Quinta dos Poços resulta da junção das quintas Poços de Baixo (12 hectares), Poços de Cima (8 hectares) e da Liberata (5 hectares) e toda a história da propriedade está intimamente ligada à história da região vinhateira. A quinta pertenceu inicialmente à família Pacheco Pereira, família com grande poder no Porto e no Douro, proprietária de um vasto património vitivinícola. Em meados do século XVIII, em data que o investigador José Braga-Amaral não conseguiu apurar, os Pacheco Pereira dividiram a quinta em duas parcelas – a de Cima e a de Baixo -, vendendo esta última à família Pereira Leitão de Carvalho, uma das famílias mais ricas do Porto e do Douro, detentora de um grande património (a quinta esteve nas mãos desta família até ao último quartel do século XX).

A casa-mãe da Quinta dos Poços é uma típica casa de proprietário do século XVIII, datada de 1764, sete anos após o Marquês de Pombal ter instituído a Região Demarcada do Douro, a primeira região demarcada e regulamentada do mundo. Com capela interior, a casa ostenta o brasão que representa as linhagens dos Sampayo e Pereira Leitão de Carvalho.

Por altura da 1ª Invasão Francesa, em 1808, a Quinta dos Poços terá acolhido, forçadamente, as tropas francesas comandadas pelo General Loison (o famoso General “Maneta”), quando estas se dirigiam de Almeida para a cidade do Porto. Supostamente, o General Loison terá escolhido esta quinta pela sua localização estratégica – em frente à foz do rio Corgo, sobranceira ao rio Douro, e com a Régua ao fundo. A Quinta dos Poços serviu também de refúgio ao Capitão Paiva Couceiro, um dos maiores heróis de África e personagem notável que liderou o movimento denominado “Monarquia do Norte” (1919).

A última fase da quinta iniciou há 25 anos, com a aquisição da Quinta dos Poços de Baixo (12 hectares) por Maria Luísa e José Mesquita Guimarães. Com raízes no Douro, Maria Luísa guardou na memória os bons momentos de infância passados com os pais e os 8 irmãos, quando todos passavam as férias na propriedade que tinham na zona de Lamego.

Natural do Porto, Maria Luísa conseguiu transmitir a sua paixão pelo Douro ao marido (médico dermatologista). Em 1997 e em 2002, já mergulhados na produção vitivinícola, o casal reforçou o investimento, com a aquisição da Quinta dos Poços de Cima (8 hectares) e da Liberata (5 hectares), respectivamente.

“Em 1986, adquirimos a quinta a pensar nas nossas férias, não no negócio dos vinhos, mas ao chegar a esta região vinhateira, esta evolução foi natural”, explica Maria Luísa. “Esta terra é a nossa paixão, não há lua cheia ou pôr do sol como aqui”, acrescenta Mesquita Guimarães, que juntamente com a dupla de enologia 2PR (António Rosas, Pedro Sequeira e Filipa Pizarro) desenvolvem um projecto de vinhos que atinge já as 40 a 60 mil garrafas por ano. Actualmente, a Quinta dos Poços exporta cerca de 50% da produção para mercados como a Alemanha, Angola, Bélgica, Brasil, Irlanda, Suíça e USA.

É este percurso singular levado a cabo por uma professora e um médico dermatologista que está descrito no último capítulo do livro “Quinta dos Poços – 300 anos de história”. Esta monografia faz parte de uma embalagem especial que inclui o vinho “Quinta dos Poços MG XXI”. São 3000 exemplares que estarão disponíveis nas principais garrafeiras e em algumas livrarias do país (PVP 40 euros).

 “Este vinho representa de forma exemplar os 25 anos da família Mesquita Guimarães à frente desta quinta. É um vinho com uvas do primeiro encepamento, que teve lugar em 1990, e do segundo encepamento, que teve lugar em 2005, com Touriga Nacional, Tinta Francisca, Donzelinho Tinto, Rufete, Tinto Cão e Sousão”, explica Pedro Sequeira, enólogo da Quinta dos Poços desde há seis anos.

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